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E ao voltar…

 

 

 

… depois de algo como 44 dias seguidos sem trabalhar – contando finais de semana, feriados e quatro dias de recesso com trinta dias de férias -, tudo o que eu queria neste exato momento era estar lendo meu livro deitada no sofá, vestindo meu pijama e meias coloridas.

 

 

 

- Por falar nisso, quero ler uma coisa pra você.

- Humm..

- Calma que tá aqui em algum lugar do meu google reader.. ah.. hum… calma… cadê… cadê… ACHEI!

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza.
Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.
Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um símbolo do zodíaco…”

“Memória de minhas putas tristes”, Gabriel García Márquez

 

- Eu tenho esse livro.

- Como assim??

 

Pausa: eu posso não saber quantos copos tem na cozinha ou ter roupa esquecida dentro do guarda-roupa, mas eu sei TODOS os livros que tem na casa. E eu não me lembrava de o ter visto em canto nenhum.

 

- Não aqui. Em Mafra.

- Ahhhh táaa!

- Ele é fininho.

- Eu sei.. (começo a dramatizar).. já tive ele em minhas mãos.. mas ele nunca foi SÓ MEU… tava na prateleira da livraria.. passava de mão de mão.. era de todos..

- Bom, é o mínimo que se espera de uma puta, né.

  

 

 

E então, criei esse hábito de ficar anotando pensamentos que me ocorrem em um caderninho que carrego pra lá e pra cá. Junto veio esse gosto por escrever pequenas frases na forma de tópicos em posts aqui e ali. Eu sei, o twitter existe pra isso.

 

Daí que sempre preferi pequenos grupos às multidões. Talvez por isso, ainda não consegui me afeiçoar ao twitter.

 

Porque twitter é TÃO multidão. É o próprio show do aniversário de Brasília na esplanada dos ministérios. Aquele mar de gente, todos falando - CADA UM COM SEU JEITINHO - ao mesmo tempo, sobre todos os assuntos do mundo. E é uma confusão de RT, FF, #qualquercoisa entre conversas paralelas, piadas entre grupos internos, excesso de stand up e muita – mas muita!! – polêmica. E no meio de muita gente, eu fico assim.. bem perdida e quieta. Deve ser porque sou tímida. Além de envergonhada.

 

Gosto das pequenas reuniões. Daqueles em que se conversa por horas e mais horas dividindo canecas de café. Ou taças de espumante. E que terminam quase sempre contra a vontade – por conta do passar demais das horas, ou do sono que me vence - junto com a promessa de continuar em outro dia.

 

E blog é assim, quase que a minha casa. Aí que no twitter, você leria minhas frases ali, espalhadas ao acaso, fragmentos sem contexto em duas ou três linhas, espremidos entre um comediante e alguém comentando algo sobre a visita do presidente do Irã. O blog não. Aqui sou toda eu. Frases entre segredos e confissões pelos cantos. Daí dou um toque com uma foto aqui, outra ali. Respingo cores porque tenho a esperança que se parecer bonitinho, poderão até dizer: “é chatinha, mas até que é adorável”.

 

Blog é você no meu mundo.

Então, puxe uma cadeira enquanto preparo um café para nós e me conte como foi seu dia.

 

Detalhes do retorno

 

 

 

O estranho de chegar é ter que voltar a se acostumar com sua cama. Mas é bom poder dormir com as janelas do quarto abertas.

 

 

 

 

- Lembrei que foi por causa da Budget Band que comecei as aulas de violino. E bom.. por enquanto, da banda, só tem isso.

 

- Preciso superar esse meu preconceito de subestimar - logo de cara –  livros com menos de 350 páginas. Pelo menos esse, já que deixar de julgar o livro pela capa, –  ah! –  isso eu não consigo.

 

- Prometi e jurei, mas .. cortei o meu cabelo. E como dizem “por que eu tenho a impressão que quando você diz cortei, isso significa que foi realmente você que cortou seu cabelo?”. Cortei by myself mesmo. Isso porque eu tava jurando que ia deixar o cabelo crescer de novo. Que ilusão!

 

- Tá, eu me superei dessa vez. Cortei meu cabelo – com vontade, segundo minha avó -  e fui além. Pediram, eu topei. Cortei o cabelo da minha mãe e da minha avó.

 

- Queria ser mais Michelangelo e menos Leonardo da Vinci na atitude. E mais qualquer um dos dois no talento.

 

- Ouvi “Hino dos corações partidos” do Bruno Morais e fiquei a pensar. Quando um relacionamento acaba, o coração se espatifa no mais duro concreto. Mas se parte alguns pares de vezes no durante.

 

- Eu sei que existe twitter pra postar essas frases pequenininhas. Mas - confesso – tenho mais apego ao blog.

 

- Se a programação da tv é feita de acordo com o público, só gente chata acorda cedo pela manhã. Tá, eu sei que muita gente acorda cedo pra trabalhar. Tô falando de quem acorda cedo sem precisar. Tá, eu sei. Tenho um certo preconceito com quem acorda cedo e feliz. É porque é algo inconcebível para mim.

 

 

 

Quando criança, eu nunca pedi pra ir a escola. Na real, eu não lembro se em algum dia da minha vida pedi pra ir a escola.

 

Cresci até os cinco-quase-seis anos num sítio. Depois morei num bairro tranquilo da cidade, mas passava todos os finais de semana no sítio. E brinquei na rua até lá por volta de 13 ou 14 anos.

 

Daí que tinha um vizinho – no sítio, é claro – que me chamava pra brincar de caçar passarinho e então caminhávamos no meio do matagal, cada um com uma espingarda de chumbinho – sempre olhando pro céu. Até hoje sou ruim de mira. Nunca consegui acertar nenhum. Mas eu adorava mesmo assim, porque tinha aquele gosto de “proibido”, já que minha mãe nunca me deixou brincar com armas de verdade.

 

E na minha rua, ficávamos até quase onze e meia na rua. Isso porque o melhor horário pra brincar de esconde-esconde é de noite. Qualquer sombra vira um bom lugar pra se ocultar.

 

 Também tinham brigas. Nas rodinhas, eu sempre briguei só com a Tatiana. Ela era insuportável e me provocava. Era pra eu ser melhor de briga, não fosse um vizinho que vivia me protegendo.

 

Tinha um outro amigo que tinha um gavião de estimação. Jogávamos video-game o dia todo e no final da tarde íamos alimentar o gavião. Ele ficava numa gaiola e era só colocar um pedaço de carne crua na ponta do dedo e enfiar na gaiola. Depois de um tempo, soltaram o gavião. Aí a gente colocava a carne crua no dedo e levantava a mão pra ele pegar dando uma rasante.

 

Tomei muito banho de mangueira na rua durante o verão. E no meio das brincadeiras, pra não precisar entrar em casa, tomava água da mangueira também. E comia flor. Trevo também. Joguei muita queimada nesses anos todos. E guerra de lama. Achei muito ninho de passarinho e sempre – SEMPRE – estava com algum machucado. Tenho um par de cicatrizes aqui e ali.

 

E na escola era só pintar, desenhar e – quando muito – parquinho. Tudo com fila, mil protocolos e muita – mas muita mesmo! – burocracia. “Não pode isso”, “não pode aquilo”, “primeiro aqui”, “só depois do lanche” e bla-bla-bla.

 

Banho era um inferno também. As mães não conseguiam estabelecer um horário em comum para os banhos. Elas chamavam a galera um a um. A cada grito de “fulano, vem tomar banho agora!!”, alguém deixava o grupo arrasado. Era sempre na MELHOR hora da brincadeira. Ou ao menos parecia sempre ser.

 

Por tudo isso, durante minha infância, nunca gostei muito de escola ou de banho. Mas foi assim que comecei a aprender a cumprir regras e a ter responsabilidades. Por mais chatas que elas fossem.

 

Anotações de ontem

 

 

 

- Descobri porque sinto tanta fome. É genético. Minha mãe é o tempo todinho comendo. O dia inteiro.

 

- Ontem assisti a uma entrevista do Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares, no Roda Viva e não pude deixar de anotar algumas observações dele justificando as cotas para negros. Há que se pensar sobre.

 

- Por falar em entrevista, toda vez que o Heródoto fala alguma coisa, fico me perguntando se o que faz a boca dele não se mexer direito é botox.

 

- Tenho até amanhã para pagar os livros que comprei.

 

- Domingo desisti de vez do Augusto Cury. Enquanto lia, só conseguia me imaginar batendo no tal vendedor de sonhos. Sério, não gosto desses tipos. Além de tudo, ele – assim como todo vendedor – é chato. Muito chato. Resolvi reler Anna Karienina. Não sei porque não pensei nisso antes.

 

- Até quando serei capaz de guardar um segredo?

 

 

 

- Mi!

- Oi

- Que horas passa CQC?

- Ué..  a qualquer hora do dia no youtube..

- Tá, eu sei. Mas e na tv?

- Sei lá.

- Mas não é você que gosta do CQC?

- Eu não. Só assisti quinze minutos naquele dia com você. E tirando o Danilo, o resto é muito chato..

- Também achei.

- Viu? Olha no youtube! Dá pra assistir só os quadros dele. Muito melhor.

 

 

malaaaa

 

Não que eu não sinta saudades das pessoas.

 

Mas, ai… o coração fica assim apertado – apertado não, fica comprimido! – em pensar que já é quase dia de partir. Então, chego até a pensar em desistir de tudo e ficar por aqui mesmo. E quem sabe um dia eu voltava lá pra buscar minhas coisas.

Quando se mora longe, o que cansa não é chegar. O difícil mesmo é sempre ter que partir.

 

Tudo o que eu queria agora era uma licença-prêmio.

 

Retalhos de domingo

 

guarda_chuva_2

 

 

 

- Experimentei polenta de uva. Não gostei.

 

- Uma hora você precisa se dar conta de que, se em tantos anos nunca conseguiu ter uma barriga perfeita, talvez já esteja hora de se conformar e parar de sofrer.

 

- Liguei a tv quinze minutos antes e o programa já tinha começado. E eu jurando que ele começava só onze e meia da noite. Preciso conferir o horário, mas tô com preguiça do google.

 

- Procura-se rapaz que atende pelo nome de Fernando. Idade entre 27 e 28 anos. Estudava Comércio Exterior na UEPG e depois trocou por Administração. Trabalhava na Kaiser e já morou no edifício Rotary. Recompenso bem.

 

- Ando com mania de comer pão com mel. Não pão DE mel. Pão COM mel mesmo. Muita gente não gosta, mas eu gosto de mel.

 

- Falando em pão, qando era pequena gostava de comer pão com manteiga e açúcar. Açúcar união mesmo. Polvilhava bem por cima, tirava o excesso e comia. Hoje eu acho estranho e tem tempo que não como mais isso. Mas continuo comendo melancia com sal.

 

- O dia em que eu precisar fazer dieta, tô ferrada. Por falta de opção, almocei mal esses dias atrás. Lá pelas quatro da tarde desandei a comer. Dois pães e um miojo inteiro antes do jantar. Sinceramente, não sei de onde vem toda essa fome. Mas com fome, sou o pior humor do mundo. Talvez não tanto quanto com sono.

 

- Não gosto muito de receber críticas. Exceto de pessoas conhecidas. Tenho pavor de anônimos.

 

- Minha última nova mania tem sido andar com papelzinho pra anotar pensamentos soltos. Muitos acabam postados aqui. Outros, não sei ainda.

 

 - Queria ir ao show do AC/DC no Morumbi.

 

 

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